Por: Anderson Favero | 2 semanas atrás

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 4, pela Agência Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, apontou que metade da população brasileira é a favor da prisão de mulheres que interrompem a gravidez intencionalmente.

– A pesquisa não traz um cenário generoso para as mulheres, pelo contrário: só afirma a manutenção do conservadorismo e dos tempos que estamos vivendo”, afirma Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, responsável pela análise juntamente com o Instituto Locomotiva.

Mesmo quase metade dos brasileiros afirmando que conhecem ao menos uma mulher que já realizou um aborto, 62% declara ser contra que o aborto seja uma decisão da mulher. A pesquisa ainda mostrou que quanto maior a escolaridade do entrevistado, maiores as chances dele se mostrar favorável ao direito de escolha da mulher.

– Não discutimos aborto porque ele é um tema tabu, porque é moralizante. As pessoas evitam saber mais em nome de uma falácia que é a defesa da vida do feto – explica Marisa.

Dentro da lei

No Brasil, interromper uma gestação é apenas permitido por lei em três situações. Gravidez decorrente de estupro, risco de vida à mãe ou gestação de feto anencéfalo – essa última, uma decisão de 2012 do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a pesquisa, 67% dos brasileiros é favor do aborto caso a mulher tenha ficado grávida vítima de um estupro. 61% concordam com o procedimento em risco de morte. E no caso do feto ser diagnosticado com alguma doença grave ou incurável – e aí entrou uma nova condição: quando a mulher tem zika – 50% dos entrevistados disseram concordar que a mulher possa realizar o procedimento.

A pesquisa entrevistou 1.600 pessoas, com 16 anos ou mais, de 12 regiões metropolitanas do Brasil no período de 27 de outubro a 6 de novembro.