Por: Anderson Favero | 1 semana atrás

Conhecer obras de arte e monumentos históricos espalhados ao redor do mundo é o sonho de muitos turistas, entretanto, para uma parcela da população que tem deficiência visual, essa prática pode parecer impossível. Mas não é.
Na tarde desta quarta-feira, 6, cerca de 20 alunos da Adevosc (Associação de Deficientes Visuais do Oeste de Santa Catarina) participaram de uma atividade sensorial promovida pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Na ocasião, eles puderam “conhecer” 15 monumentos históricos, de Chapecó e de outros lugares do mundo.
Para tanto, obras como o Cristo Redentor, a Estátua da Liberdade, O Desbravador e as Pirâmides de Gizé foram impressas em 3D e expostas sobre uma mesa na Adevosc. Um a um, os alunos se dirigiram até o local, tocavam os objetos e, na sequência, tinham acesso a um texto explicativo sobre o monumento escrito em braile.

Cezar Antonio Benvenutti, de 51 anos, não enxerga desde que passou por uma paralisia infantil com apenas um ano de idade. Desde 2002, ele frequenta a Adevosc e, na tarde de ontem, foi o primeiro a participar da atividade. Emocionado, ele relatou que, apesar de morar em Chapecó há 32 anos, nunca tinha ido até O Desbravador, e nem tinha noção de como era a estátua feita pelo artista plástico Paulo de Siqueira em 1981:
– Foi um momento de muita emoção porque nunca havia tido acesso a nada disso. Eu não tinha a menor noção de como eram essas estátuas. Agora, posso dizer que tenho mais conhecimento – conta ele que, além de O Desbravador, também gostou de tocar numa réplica de A Última Ceia, uma das obras mais conhecidas de Leonardo da Vinci.

Além de tocar nas peças em miniatura, os alunos puderam ler, em braile, textos explicativos sobre o monumento ou a obra de arte

O projeto

Coordenado por Tatieli Lui Meneghini, a atividade sensorial faz parte de um projeto de extensão do IFSC e foi viabilizado através de um edital voltado a arte e cultura.
– Nós enxergamos e sabemos como são esses monumentos, mas como o deficiente visual faz para ter acesso a isso? Então, nossa ideia inicial foi justamente criar uma maneira de apresentar a eles obras de arte, monumentos históricos e turísticos a partir de peças tridimensionais em tamanho reduzido – explica Tatieli.
Iniciada em 30 de outubro, a confecção das peças contou com a participação de seis acadêmicos bolsistas da instituição, um voluntário, três servidores e o arquiteto Renato Slomski. A própria impressora 3D, usada na elaboração dos monumentos, foi criada por um desses estudantes, Arthur Hugo Fuzinatto, que cursa engenharia de controle e automação:
– Como acadêmico, me sinto muito feliz em participar de um projeto que presta um apoio tão importante para a sociedade. Para nós, que estamos na instituição, é sempre válido manter essa proximidade com o público externo – avaliou o estudante.
Nos próximos dias, os objetos permanecerão expostos na Adevosc para que os demais alunos, que nesta semana participam do Parajasc, em Caçador, também possam tocá-los e, na sequencia, serão usadas para fins didáticos da entidade.